A
inversão dos papéis masculino x feminino atinge o seu
clímax. Assistimos mulheres mais homens do que os próprios
homens e homens mais fragilizados. A diferença entre os
sexos está radicalizada. Agora mais do que diferentes;
invertidos.
É indiferente quem faz o quê. Quem paga, quem sustenta,
quem decide. Pode ser um ou pode ser o outro. Depende
de quem está em condições melhores para este fim. Materialmente
ou emocionalmente. Há perda total dos referenciais masculino
x feminino. Quem se ater a eles vai se perder ainda mais.
Presenciamos o nascimento de uma certa androgenia. Em
alguns casos fica fisicamente impossível distinguir se
se trata de um menino ou de uma menina. Principalmente
entre os mais jovens. Vestes iguais; ambos usam piercings,
bolsa, cortam cabelo parecido, têm uma linguagem corporal
idêntica e se comportam da mesma maneira. Numa estranha
mistura onde não predomina nem o masculino nem o feminino.
Quem são esses novos seres? O que representam e para onde
apontam? Outro fenômeno nascente nesta área é o namoro
na internet, onde pares se encontram à distância. Promovem
relacionamentos casuais e de pouca duração e praticam
sexo virtual.
A pessoa pode chegar a escolher se ela quer só sexo, amizade,
ou um namoro sério. É só clicar no lugar certo que o parceiro
aparece. É uma espécie de delivery afetivo.
Não há dúvidas que estes encontros na internet refletem
uma busca. Uma busca por esse estranho que mora em algum
lugar do planeta e há de me completar. Há por trás disso
a idéia de que o outro é um estranho. E de que talvez
um estranho, só um estranho, alguém sem rosto, sem pré-conhecimento,
sem uma apresentação - possa ser mais possível do que
aqueles com quem eu convivo e encontro assiduamente.
Também presenciamos a formação de casais muito diferentes.
Unidos pela diferença. Que o que combina é a descombinação.
Casais inter-raciais, com biotipos diversos, e idades
desiguais. O desigual passa a ser atraente e não temos
mais o compromisso de nos relacionar apenas dentro da
mesma faixa social, etária e racial. Vemos inúmeras vezes
casais que nos chocam pela "desproporção" entre eles.
Outro fator marcante é a liberdade sexual, das escolhas
sexuais, das ambivalências sexuais, da homossexualidade,
da bissexualidade, de quantos mais formatos sexuais se
quiser inventar. A escolha sexual não pode mais ser impedimento
para o amor e relacionamento. O amor pode nascer e crescer
em qualquer solo.
Chama-me atenção também um fenômeno típico desses nossos
tempos de Urano em Aquário. Os relacionamentos com o máximo
de prática de liberdade entre as partes. Não se trata
mais de liberdade sexual. Nem de liberdade de se trair
ou trocar de par. Mas a estranha liberdade para se ficar
só - livre do par ou da obrigatoriedade de sua presença.
Assim espaços são criados entre as relações. E áreas da
vida de cada um ficam intactas e preservadas da relação.
Descontaminadas. Aqui estamos no centro do reino dos fóbicos.
Qualquer intimidade os asfixia. Obrigatoriedade é um crime
contra o amor. O outro vem e vai quando eu quero, eu vou
e venho quando eu quero. Neste sentido o namoro na internet
e os casais formados à distância cai como uma luva. Com
isso o individualismo é mantido a qualquer custo. Mesmo
dentro de relacionamentos estáveis.
Fruto disto também é a prática do ficar. Tão comum entre
os mais jovens. Ficar remete ao conforto do descartável,
do instantâneo, sem compromisso, sem esperança. A quantidade
suprindo a falta de qualidade. Não é esta mesma a idéia
básica da sociedade de consumo? Por que também não praticá-la
no amor? A novidade e o passageiro têm mais brilho do
que o sólido e permanente. Ninguém suporta tédio. Relacionamento
não pode ter tédio.
Ah! eu ia me esquecendo... Como convém ao signo de Aquário,
mental, cheio de idéias... nunca se praticou, neste campo
das relações, e em relação ao amor um discurso tão distante
e diferente da prática. O que as pessoas dizem e pensam
que buscam é totalmente diferente e melhor do que efetivamente
elas praticam. Tudo próprio deste conceitual signo de
Ar.
Também
outro traço típico deste signo é a explosão dos contrastes
e a convivência entre as diferenças.
Vemos simultaneamente a oficialização de casamento entre
homossexuais junto com cerimônias conservadoras onde jovens
noivas escolhem cerimônias rigorosamente dentro da tradição.
Também vemos ainda jovens se casando porque ficaram grávidas
e ao mesmo tempo mulheres escolhendo produção totalmente
independente inclusive com pais de banco de sémen.
Ainda observamos casais onde as mulheres sustentam integralmente
o parceiro e a família e parceiros masculinos pedindo
pensão para suas bem sucedidas ex-mulheres. E ainda a
tradicional e conservadora pensão extorsivas de mulheres
de seus antigos maridos, vivendo confortavelmente - em
plena revolução pós-feminista vivendo de salário/marido.
Para concluir também presenciamos a mais espetacular liberdade,
explicitação e oferta de sexo e ao mesmo tempo um número
crescente de homens acusando impotência precoce usando
medicamentos estimulante sexuais ou buscando mulheres
de programa para saciar seus apetites sexuais. Tal como
nossos avós.